Campaigns & Elections no Brasil

Campaigns & Elections Brasil

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Bom ter vivido no mesmo tempo em que Steve Jobs

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Pelo voto distrital no Brasil

TENDÊNCIAS/DEBATES – FOLHA DE S. PAULO

A reforma política deve contemplar um sistema de voto proporcional misto?

NÃO

Felipe Salto e José Emydgio de Carvalho Neto

Somos contrários à proposta de reforma do sistema eleitoral do deputado Henrique Fontana (PT-RS), pois, se aprovada, pioraria os já conhecidos problemas de nosso sistema eleitoral. Segundo a proposta, o eleitor votaria duas vezes.

O primeiro voto seria computado como hoje; no segundo voto, em lista, o eleitor perderia o direito de eleger diretamente seus candidatos. Mas quem escolheria essa lista? Os caciques dos partidos.
A proposta não parece ser produto de estudos de sistemas eleitorais, mas de uma tentativa de acomodação de interesses.

Nossa proposta é bastante distinta e com objetivos bem claros.
Vemos no voto distrital uma poderosa ferramenta para reduzir o custo das campanhas eleitorais e motivar uma maior fiscalização por parte do eleitor sobre o trabalho do político. A sociedade tem se mostrado propensa a esse debate. Tal propensão ao “novo”, como temos chamado, é o que se vê no movimento #EuVotoDistrital.

O sistema eleitoral proporcional, que é o atualmente empregado no Brasil, permite que votemos em candidatos a deputados federal, estadual e a vereador, mas também em suas legendas, se desejarmos.
Extremamente confusa, a mudança para proporcional misto só pioraria um sistema em que já é difícil entender como nosso voto contribui para eleger representantes.

Com o voto distrital, seria fácil entender os caminhos do voto, e o custo de acompanhar o processo eleitoral, pela facilidade do sistema (o mais votado em dois turnos ganha no distrito), seria bem menor.
Na prática, o eleitor precisaria acompanhar apenas um representante. Também o eleito teria incentivos para lutar pelas demandas do distrito, aproximando representante e representado.
Pelo lado dos custos das campanhas, os candidatos não teriam que percorrer todo o Estado, mas apenas uma região muito menor (o distrito), de modo que a demanda por financiamento cairia, segundo alguns estudos, de 50% a 70%.

Como funcionaria o sistema distrital (ou majoritário)? O país todo seria dividido em distritos -áreas com limitações geográficas parecidas e número similar de eleitores – de acordo com o número atual de deputados a que cada Estado tem direito. São Paulo, por exemplo, continuaria a eleger 70 representantes para a Câmara (70 distritos, sendo um por distrito).
Aliás, estamos às vésperas das eleições municipais. Por que não alterar nosso sistema eleitoral para a escolha dos próximos vereadores? Funcionaria como no caso dos deputados federais. Isto é, o eleitor escolheria seu representante distrital como se fosse o vereador do bairro (ou regiões que englobariam alguns bairros).

A sociedade quer e busca a mudança. Ela se organiza para isso. Diretas-Já, Ficha Limpa e tantos outros exemplos. Resta-nos potencializar a força que emana desse novo poder, dessa força pela mudança e pela Política (com “P” maiúsculo).
Eis a inflexão que queremos ver na política nacional -fruto de uma nova postura, que é a expressão do desejo de construir um país melhor.

É essa a causa que guarda e defende o movimento livre, apartidário, que surgiu da sociedade civil e que nesse momento angaria assinaturas – o #EuVotoDistrital (# eu voto distrital ).

Milhares de cidadãos de todos os Estados do Brasil já se apresentaram para essa mudança. Agora, buscamos seu apoio para que o Congresso seja compelido a realizar a verdadeira reforma política e, acima de tudo, para que façamos da nova política que queremos ver a próxima grande mudança liderada pela sociedade em benefício da democracia no Brasil!

FELIPE SALTO, economista pela EESP/FGV-SP e mestrando em administração pública e governo também pela FGV, é analista da Tendências Consultoria e cofundador do Instituto Tellus.

JOSÉ EMYGDIO DE CARVALHO NETO, formado pela FGV em administração pública e graduado pela Universidade Georgetown (EUA) em seu Global Leadership Program, é cofundador do Instituto Tellus e coordenador de mobilização do Centro de Liderança Pública. Ambos são membros do movimento #EuVotoDistrital.

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Vote em mim (eu sou maluco)

KEVIN DELANEY 

15/08/11 – The New York Times – Folha de S. Paulo 

Os elefantes são conhecidos por sua sociedade relativamente pacífica e por sua liderança matriarcal e benigna. Pelo menos até a temporada do acasalamento, momento em que os machos -emitindo um fedor glandular e guiados por uma explosiva mistura de hormônios- atacam-se com uma impulsividade homicida, em que sobrevive quem for mais louco.

Para os políticos humanos, esse aterrorizante espetáculo oferece uma lição: a sanidade, às vezes, é superestimada.

Como escreveu no jornal “The New York Times” o professor de psicologia David Barash, da Universidade de Washington, esses elefantes ilustram uma tática notória na teoria dos jogos: convença o seu adversário de que você é desequilibrado demais para seguir as regras normais.

O presidente Richard Nixon tentou fazer isso nas suas negociações com o Vietnã do Norte, ao semear rumores de que ele era insano e estava ávido por um ataque nuclear.

A “Teoria do Louco” adotada por Nixon não funcionou. Mas, como aponta Barash, uma manobra semelhante pode ter ajudado os republicanos do Tea Party na sua implacável negociação orçamentária no mês passado, na linha “dane-se a moratória”. O presidente Barack Obama, escreveu o professor, estava agindo sob a presunção de normalidade em relação a regras, à racionalidade e às concessões, mas “enfrentava o equivalente político de um elefante lascivo -um jogador que simplesmente não joga o jogo”.

Loucura e liderança, na verdade, são uma combinação clássica. No livro “A First-Rate Madness” (uma loucura de primeira), Nassir Ghaemi estuda os transtornos da personalidade de figuras históricas e afirma que esses parafusos soltos motivaram sua grandeza. Citando, por exemplo, a depressão de Churchill e Lincoln e a mania de Franklin Roosevelt, ele escreve: “Nossos maiores líderes nas crises labutam na tristeza quando a sociedade está feliz. No entanto, quando ocorre a calamidade, se eles estiverem em condições de agir, eles podem erguer todos nós”.

Mas líderes como Neville Chamberlain e George W. Bush, os quais Ghaemi qualifica como “no meio do caminho” em termos de personalidade, reagem aos desafios com ações que foram, infelizmente segundo ele, “normais”.

Bush, pelo menos, tinha um passado de alcoólatra. David Linden, professor de neurociência da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, escreveu no “Times” que certos indivíduos sentem um “barato” de dopamina no centro de prazer do cérebro durante uma crise.

Como se trata da mesma área cerebral estimulada por abusos de substâncias, isso pode explicar a mentalidade de viciados épicos como Alexandre, o Grande, Otto von Bismarck e Churchill.

Claro que ser líder não é só ser louco. Por isso, os irracionais elefantes deveriam estudar os macacos rhesus. O macho dessa espécie também busca elevar o seu status na sociedade matriarcal combatendo outros machos. Mas, antes de começar a rosnar, os mais espertos cultivam uma base de seguidores.

“Os rhesus machos são oportunistas por excelência”, disse ao “Times” Dario Maestripieri, primatologista da Universidade de Chicago. “Eles fingem que estão ajudando os outros, mas só ajudam os adultos, não os filhotes. Só ajudam aqueles que estão acima deles na hierarquia, e não os de baixo. Eles intervêm em brigas onde sabem que vão ganhar.”

É uma estratégia vencedora. Desde que você não enfrente aquele macaco louco que não joga conforme as regras.

KEVIN DELANEY

Envie comentários para nytweekly@nytimes.com

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Disputa presidencial de 2010 foi mais acirrada na internet, aponta Ibope

Estudo elaborado a partir de pesquisas realizadas na eleição mostra diferença menor entre candidatos

Jair Stangler, do estadão.com. br

A disputa eleitoral foi mais acirrada na internet que no eleitorado em geral, mostra estudo divulgado pelo Ibope nesta segunda-feira, 25. O estudo, elaborado pelos pesquisadores João Francisco Resende, do Ibope Inteligência, e Juliana Sawaia Cassiano Chagas, do Ibope Mídia, cruzou dados das pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto entre 30 de junho e 30 de outubro de 2010.

O trabalho apontou que a diferença na intenção de votos entre os principais candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – era menor entre os eleitores conectados que entre o eleitorado em geral. Dilma, que venceria a disputa, aparece em todas as pesquisas realizadas com porcentuais mais baixos que os apresentados no eleitorado geral. Já o tucano José Serra e a então candidata do PV apareciam com números mais altos.

No início do período, os dois apareciam empatados entre os conectados – em 30 de junho os dois somavam 36%, em 29 de julho e em 15 de agosto, 37% -, enquanto no eleitorado geral, Dilma já começava a abrir dianteira, em função do maior conhecimento que as pessoas passaram a ter sobre ela – 39% a 34% em 29 de julho, 43% a 32% em 15 de agosto.

No início do segundo turno, Serra se aproximou de Dilma no eleitorado geral, chegando a 43%, ante 49% de Dilma. Entre os conectados, Serra assumiu a liderança, com 50% a 41% em 13 de outubro. Em 20 de outubro, o tucano tinha 48% contra 42% e no dia 28 de outubro, Dilma virava o resultado: 49% a 43% entre os conectados e 52% a 40% no eleitorado geral.

A alteração no cenário eleitoral entre o final do no início do segundo turno se deve a boatos que passaram a circular pela internet, dando conta que Dilma apoiaria a legalização do aborto e criticando sua participação em grupos armados que lutaram contra o regime militar e o seu suposto ateísmo.

Ainda no primeiro turno, uma declaração de Monica Serra, mulher do presidenciável tucano, contribuiu para o acirramento da guerra virtual entre PT e PSDB. Em campanha na Baixada Fluminense, Monica afirmou que Dilma “é a favor de matar as criancinhas”, referência ao fato de que a petista seria a favor do aborto. Em resposta, blog ligado ao PT divulgou documento assinado por Serra quando ministro da Saúde que regulamenta a realização do aborto em casos previstos na legislação, como estupro e em casos de risco de morte da mãe e indicou que a versão do Plano Nacional de Direitos Humanos feito na gestão FHC “defende a ampliação da legalização do aborto”.

A partir dos debates no segundo turno (em 10 de outubro na Bandeirantes e 17 de outubro na Rede TV), Dilma partiu para o ataque, negando que fosse apoiar o aborto e trazendo para o centro do debate Paulo Vieira de Souza, conhecido como ‘Paulo Preto’, acusado de desviar dinheiro da campanha tucana. A tática deu resultado e Dilma conseguiu reverter a intenção de voto na internet.

Segundo o Ibope, esse acirramento da disputa na internet sugere uma mobilização mais intensa em torno das candidaturas por parte dos cidadãos que utilizam a rede cotidianamente. De acordo com o levantamento, cerca de 25% dos eleitores fizeram uso da internet cotidianamente no período, o que representa aproximadamente 27 milhões de brasileiros.

Twitter. No Twitter, Serra obteve liderança absoluta no número de seguidores de seu perfil. No início do período estudado, Serra tinha 271.794 seguidores. Em 30 de outubro, eram 547.551 seguidores. Já o perfil de Marina começa com 79.688 seguidores e chega em 30 de outubro com 333.267 seguidores. O perfil de Dilma teve o desempenho mais fraco entre os três, tendo iniciado com 97.424 seguidores e chegado a 287.293 seguidores em 30 de outubro.tre os eleitores que acessam a internet diariamente e os que utilizam redes sociais.

Mesmo fora do 2º turno, Marina continuou ampliando o número de seguidores no Twitter. Segundo o Ibope, isso se deu em função do interesse por parte dos usuários desta rede social pelo posicionamento da candidata verde no 2º turno – apoiando Serra ou Dilma. Atualmente, o perfil de Marina está com 485.076 seguidores, o de Dilma (que não é atualizado desde 13 de dezembro), tem 710.919 seguidores e o de Serra, 773.360 seguidores.

Internet ganha força. O estudo aponta ainda para o crescimento da internet como fonte de informação para os eleitores. Em 2008, nas eleições municipais, 2% dos entrevistados apontavam o meio como principal fonte de informação para decidir o voto. Em 2010, esse número foi a 12%. / COLABOROU BRUNO SIFFREDI


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O que faz de um tango um tango

Mario Sabino

O QUE FAZ de um tango um tango não são as letras lamuriosas. O que faz de um tango um tango não é o Gardel morto que canta cada vez melhor. O que faz de um tango um tango não são os passos ensaiados na tradição. O que faz de um tango um tango não é a orquestra com o ar cansado de quem tudo já viu. O que faz de um tango um tango não são as pernas altas da dançarina, calçadas em meias pretas. Não é seu cabelo preso ora com flor, ora com fita. O que faz de um tango um tango não é o chapéu antigo do dançarino. Não são os seus sapatos lustrosos. Não é o seu terno de risca-de-giz. Não é o seu lenço dobrado no bolso da lapela. O que faz de um tango um tango não é Buenos Aires. Não é qualquer geografia. O tango não está no mundo das latitudes, das longitudes, das cartografias, dos guias turísticos.

O que faz de um tango um tango é a atração e a repulsa. É a tentação e o medo. É o afeto e a raiva. O que faz de um tango um tango é ela seguindo na mesma direção dele, e ele seguindo na mesma direção dela, até que um tenta fugir e o outro tenta impedir, numa alternância de fugas que se querem e não se querem. O que faz de um tango um tango é a dor de um e de outro transformada em coreografia simétrica. O que faz de um tango um tango é o encontro que se desencontra e se reencontra. O que faz de um tango um tango são os volteios do amor dos poemas clássicos, das canções dos trovadores. Os volteios do amor que bebe no prazer e na fúria. Os volteios do amor que se amorna e logo torna a incandescer. O que faz de um tango um tango é o amor que, na iminência de um final que se prenuncia infeliz, acha o final feliz. Porque nunca em um tango que é tango os dançarinos terminam separados, descolados, deslocados.

O que faz de um tango um tango sou eu dentro de você na carne e você dentro de mim na alma, depois do último acorde, depois do último aplauso, depois da última lágrima, depois do último gozo. O que faz de um tango um tango é a música que se quer silêncio. O silêncio dos amantes.

Publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, em 19 de setembro de 2010. Este conto foi publicado originalmente, em inglês, na revista literária britânica “Drawbridge”, com o título “Tender anger soothed”.

Ilustração: iStockphoto.com/JJRD

Visite: http://mariosabino.com.br

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Ao meu mestre, com carinho

Mais do que tudo deixou esta vida o meu grande amigo, professor, mentor, iniciador. Vai com D’us e com um grande beijo, Cila.

Do Blue Bus

12:06  Morreu hoje o poeta e jornalista Reynaldo Jardim. Aos 84, estava internado no Hospital do Coraçao, em Brasília, por conta de um aneurisma na artéria aorta. O enterro será às 15:00 na capital. Autor de dezenas de livros de poesia, entre eles ‘Maria Bethânia Guerreira Guerrilha’, lançou ‘Sangradas Escrituras’, uma reuniao de 65 anos de produçao poética, no ano passado. Paulistano, morava em Brasília desde o fim da década de 80. Grande especialista em comunicaçao, criou o famoso Caderno B, do Jornal do Brasil, que encantou leitores dos anos 60 e repercutiu depois sobre todos os suplementos dos jornais brs. E revolucionou a linguagem do rádio brasileiro ao recriar a Radio Jornal do Brasil, na mesma época, com uma promessa de ‘música e informaçao’. Antes dele, os locutores diziam ‘doze e 45′; depois, passaram a dizer ’15 pra uma’. 02/02 Julio Hungria

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