Terceiro turno: Barbosa Neto é eleito em Londrina

 

Foto: Roberto Custódio / Jornal de Londrina / Agência Estado

O deputado federal Barbosa Neto (PDT-PR) ao votar neste domingo em Londrina (PR) (Foto: Roberto Custódio / Jornal de Londrina / Agência Estado)

Amauri Arrais, do G1 em Londrina.

O deputado federal Barbosa Neto (PDT) venceu a eleição suplementar em Londrina (PR) neste domingo (29). Na campanha do “terceiro turno”, ele teve o apoio do eleito no pleito de 2008 e cassado pela Justiça Eleitoral, o deputado estadual e ex-prefeito da cidade Antonio Belinati (PP).

Barbosa Neto disputou a eleição com o também deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que havia perdido para Belinati no segundo turno da eleição do ano passado. Barbosa voltou à disputa por ter sido o terceiro colocado no primeiro turno.

Com 100% das urnas apuradas, Barbosa Neto registrou 54,12% dos votos válidos, com 135.507 votos. Hauly teve 45,88% dos válidos, com 114.877 votos. Os votos brancos somaram 7.004 e os nulos, 15.624 votos.

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), a abstenção na cidade foi de 20% na eleição deste domingo. A posse está prevista para 3 de maio.

Segunda opção

Ao votar neste domingo, Barbosa Neto disse que a melhor solução para Londrina teria sido o “padrinho” assumir o cargo. “Continuo dizendo que estou na repescagem. Quem ganhou a eleição foi o Belinati. Qualquer outro resultado, na verdade, não é a vontade do povo”, disse.

“Se existiam problemas, a Justiça errou em não julgar anteriormente”, reiterou Barbosa Neto, que votou acompanhado da mulher e dos dois filhos no colégio Hugo Simas, na região central.

O candidato disse ainda não ter pensado sobre uma participação de Belinati num eventual governo. Segundo ele, o prefeito cassado demonstrou a intenção de participar da adminstração apenas como deputado estadual.

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições, política

Emoção, saudade e lembrança na inauguração da Praça Geraldo Walter

* Do Bahia Já:

Foto: Foto: BJá
Felipe, filho de Geraldão, agradece o carinho de amigos e publicitários por seu pai
  Familiares, publicitários e amigos de Geraldão participaram neste sábado, no bairro do Rio Vermelho, da inauguração da Praça Geraldo Walter. Um momento de alegria, saudade, lembranças e congraçamento da “velha guarda” da Publicidade baiana, para lembrar um dos seus ícones, personagem que contribuiu para modelar o que se chama de novo marketing político nacional.    

  Um dos momentos mais emocionantes foi quando o filho de Geraldão, Felipe Schulman, disse do orgulho de ter um pai como Geraldão, ainda que discordasse de algumas de suas idéias sobre o Corinthians. Na Praça, que Sérgio Valente preferiu denominar de “rodovia e/ou aeroporto, porque Geraldão era movimento, ação” presente uma parte da galera que, desde a década de 1980, pontua na publicidade local e nacional.

  Para Vera Rocha, presidente do Sinapro, a qual, falou pelos publicitários considerados por ela como “precursores e não velha-guarda”, Geraldão deve ser lembrado sempre como aquele que transformou e formatou uma geração e publicitários baianos, de aspirantes à profissionais.

   Vera destacou, ainda, que a ”força de trabalho de Geraldão, a sua dinâmica, circulando…circulando, como dizia, o tornou único no meio publicitário”, frisou. 

   Depoimentos e mais depoimentos de amigos e publicitários.
 
   Rauldo Bastos, amigo de Geraldão e organizador do movimento para dar vida à praça, diz que ele foi um “agregador”. 

   Juca Souza, o tio, que falou em nome da familia, emocionadíssimo. Cila Schulman, a ex-esposa (mãe de Felipe), Sidney Resende, Marco Gavazza, João do Brinco, Falcão, João Silva, Carlos Sarno, Edson Barbosa, Roberto Berni, Guta, Ciça, a deputada federal Lídice da Mata, o vereador Pedro Godinho, Carmela Talento, e outros, circulando pelo “aeroporto” Geraldão.

Deixe um comentário

Arquivado em Geral, política, Propaganda

Psicologia da composição- João Cabral de Melo Neto

 

1.
Saio de meu poema
como quem lava as mãos.

Algumas conchas tornaram-se,
que o sol da atenção
cristalizou; alguma palavra
que desabrochei, como a um pássaro.

Talvez alguma concha
dessas (ou pássaro) lembre,
côncava, o corpo do gesto
extinto que o ar já preencheu;

talvez, como a camisa
vazia, que despi.

2.
Esta folha branca
me proscreve o sonho,
me incita ao verso
nítido e preciso.

Eu me refugio
nesta praia pura
onde nada existe
em que a noite pouse.

Como não há noite
cessa toda fonte;
como não há fonte
cessa toda fuga;

como não há fuga
nada lembra o fluir
de meu tempo, ao vento
que nele sopra o tempo.

3.
Neste papel
pode teu sal
virar cinza;

pode o limão
virar pedra;
o sol da pele,
o trigo do corpo
virar cinza.

(Teme, por isso,
a jovem manhã
sobre as flores
da véspera.)

Neste papel
logo fenecem
as roxas, mornas
flores morais;
todas as fluidas
flores da pressa;
todas as úmidas
flores do sonho.

(Espera, por isso,
que a jovem manhã
te venha revelar
as flores da véspera.)

4.
O poema, com seus cavalos,
quer explodir
teu tempo claro; rompendo
seu branco fio, seu cimento
mudo e fresco.

(O descuido ficara aberto
de par em par;
um sonho passou, deixando
fiapos, logo árvores instantâneas
coagulando a preguiça.)

5.
Vivo com certas palavras,
abelhas domésticas.

Do dia aberto
(branco guarda-sol)
esses lúcidos fusos retiram
o fio de mel
(do dia que abriu
também como flor)

que na noite
(poço onde vai tombar
a aérea flor)
persistirá: louro
sabor, e ácido
contra o açúcar do podre.

6.
Não a forma encontrada
como uma concha, perdida
nos frouxos areais
como cabelos;

não a forma obtida
em lance santo ou raro,
tiro nas lebres de vidro
do invisível;

mas a forma atingida
como a ponta do novelo
que a atenção, lenta,
desenrola,

aranha; como o mais extremo
desse fio frágil, que se rompe
ao peso, sempre, das mãos
enormes.

7.
É mineral o papel
onde escrever
o verso; o verso
que é possível não fazer.

São minerais
as flores e as plantas,
as frutas, os bichos
quando em estado de palavra.

É mineral
a linha do horizonte,
nossos nomes, essas coisas
feitas de palavras.

É mineral, por fim,
qualquer livro:
que é mineral a palavra
escrita, a fria natureza

da palavra escrita.

8.
Cultivar o deserto
como um pomar às avessas.

(A árvore destila
a terra, gota a gota;
a terra completa
caiu, fruto!

Enquanto na ordem
de outro pomar
a atenção destila
palavras maduras.)

Cultivar o deserto
como um pomar às avessas:

então, nada mais
destila; evapora;
onde foi maçã
resta uma fome;

onde foi palavra
(potros ou touros
contidos) resta a severa
forma do vazio.

1 Comentário

Arquivado em Saber

Nova pesquisa Ibope – Serra solto na frente

*Do Blog do Noblat:

Pesquisa nacional do Ibope, aplicada entre 11 e 15 de março junto a 2.002 eleitores, confere a José Serra (PSDB) 39% das intenções de voto para a sucessão de Lula – contra 14% de Ciro Gomes (PSB), 9% de Dilma Rouseff (PT) , 8% de Heloísa Helena (PSOL) e 2% de Cristovam Buarque (PDT).

- Em 2002 e 2006, quem estava nesta situação, há um ano e meio da eleição, venceu – diz Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope.

Na simulação feita pelo Ibope sem o nome de Serra, dá Ciro com 25%, Aécio Neves (PSDB) com 12%, Heloísa com 11%, Dilma com 10% e Cristovam, 3%.

Sem Ciro, Serra tem 47%, Dilma e Heloísa 10%, e Cristovam 3%.

Sem Ciro e Dilma, Serra fica com 48%, Heloísa 11%, Tarso Genro (PT) e Cristovam com 4% cada um.

Leia mais na edição de O Globo deste domingo.

1 Comentário

Arquivado em Eleições, política

Cidades apagam as luzes pelo clima

 

Foto: Reuters

Edifícios apagaram suas luzes na Sófia, Bulgária. (Foto: Reuters)

* Da EFE

A “Hora do Planeta”, campanha mundial que faz um alerta sobre os efeitos da mudança climática, chegou neste sábado (28) à Europa às 20h30 (16h30 de Brasília), quando a praça Trafalgar (Londres), a Torre Eiffel (Paris), a cúpula da Basílica de São Pedro (Vaticano) e o Atomium (Bruxelas) se apagaram totalmente.

Com este apagão, de uma hora de duração e ao qual aderiram quase 4 mil cidades de 88 países, a Europa se uniu à iniciativa para salvar o planeta das consequências do aquecimento global.

No Brasil, a cidade de Brasília e mais nove capitais estaduais (São Paulo, Rio de Janerio, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, Curitiba, Belém, Manaus e Rio Branco) programaram shows, jantares à luz de vela e outros eventos para a chamada “Hora do Planeta”.

No Rio de Janeiro, uma das cidades mais visitadas do país, cartões postais tradicionais apagaram suas luzes, como o Cristo Redentor, a Orla de Copacabana, o Parque do Flamengo e o Pão de Açúcar.

Já em São Paulo, ficaram sem iluminação lugares famosos como o Edifício Copan, o Viaduto do Chá, o Estádio do Pacaembu, o Teatro Municipal, o Parque do Ibirapuera, a Ponte Estaiada e a Torre da TV Globo, na Alameda Santos, ao passo que Brasília viu o “apagão” do Congresso Nacional, da Esplanada dos Ministérios e do Palácio do Itamaraty. 

Seguindo o espírito da campanha, organizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e apoiada pela ONU, durante uma hora construções simbólicas da Europa se apagaram, assim como ocorreu nas ilhas neozelandesas de Chatham, o primeiro lugar do mundo a ficar às escuras contra a mudança climática.

Europa e Estados Unidos

Em Bruxelas, o Atomium, a Grand Place e toda a rede de estradas públicas ficaram sem iluminação, assim como as sedes da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), do Parlamento Europeu e do Conselho da Europa, além dos principais edifícios de Antuérpia, Liège, Gante e Namur.

No Vaticano, a cúpula da Basílica de São Pedro se apagou na mesma hora em que o Coliseu em Roma, a ponte de Rialto (Veneza), a Torre de Pisa, a Arena de Verona e outros pontos turísticos da Sicília e de Nápoles.

Já na Espanha, a “Hora do Planeta” apagou as luzes da mesquita de Córdoba, da Alhambra, em Granada, da catedral da Sagrada Família (Barcelona) e da Praça Cibeles, em Madri, entre outros monumentos e locais históricos.

Portugal, que pela primeira vez participou da campanha, viu sete de suas principais cidades ficarem parcialmente às escuras,entre elas Lisboa, Guimarães (norte), Funchal, capital da Ilha Madeira, e Almeirim, a 100 quilômetros da capital do país.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca, em Washington; a Times Square, em Nova York; e a Golden Gate, em San Francisco, se comprometeram a seguir o exemplo que várias outras localidades do Oriente deram hoje ao aderirem à campanha de conscientização ambiental.

O apagão no Hemisfério Leste deixou às escuras as ilhas Fiji (Indonésia), a catedral de Manila (Filipinas), e a torre Menara Kuala Lumpur, de 421 metros de altura, na Malásia.

Na China, que também participou da iniciativa pela primeira vez, Pequim, Xangai, Hong Kong e pelo menos outras 15 cidades desligaram a iluminação de monumentos, prédios públicos e centros comerciais.

Dos países que integram o G20, que se reúne quinta-feira (2) em Londres, apenas Japão e Arábia Saudita não apoiaram a iniciativa da WWF, cujo objetivo é pressionar os líderes mundiais que participarão da conferência sobre mudança climática que acontecerá em dezembro em Copenhague (Dinamarca).

A campanha também busca incentivar a população a trocar suas lâmpadas por outras de baixo consumo e a economizar energia diminuindo seu ar condicionado ou seu aquecedor.

Deixe um comentário

Arquivado em Geral

i carry your heart with me – e.e.cummings

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições, Saber

Viva!!!!

 

Anúncio criado por João Silva e Cesio Oliveira, veiculado pelo Sinapro nos jornais de Salvador graças à ajuda de Vera Rocha.

Anúncio criado pela dupla João Silva e Cesio Oliveira, da Maria Comunicação, e veiculado hoje pelo Sinapro-Bahia nos jornais de Salvador, graças à ajuda de Vera Rocha.

1 Comentário

Arquivado em Propaganda, Saber

Twitter no WordPress

Ueba, peça e você será atendido!

No final da tarde de ontem o WordPress passou a disponibilizar um widget para o Twitter.

Já está aí, do lado esquerdo. E funciona.

O que eu posso dizer? Muito obrigada, querida plataforma!

Deixe um comentário

Arquivado em Saber

Geraldão, um brinde à Vida

Sexta, 27 de março de 2009, 07h52  Atualizada às 08h55

Divulgação

Geraldão na campanha de Waldir Pires, em 1986: o riso diante da vida

Geraldão na campanha de Waldir Pires, em 1986: o riso diante da vida

Bob Fernandes

Amanhã, sábado 28, família e amigos se reúnem numa praça no Rio Vermelho, em Salvador, para celebrar a memória de Geraldo Walter de Souza Filho, o Geraldão. Aos 41 anos, em 1998, o publicitário Geraldo se foi. Muito se disse e se dirá daquele que é tido e havido como o grande nome do marketing político no Brasil. Do meu amigo que partiu tão cedo, no 14 de Março, data em que nasceu meu pai, Henrique, pouco direi do talento e do sucesso profissional; muitos dos que amanhã irão festejar sua história na praça Geraldo Walter estão bem mais capacitados para recordar esse belo caminho da sua vida.

(Para saber mais sobre sua trajetória profissional, ler neste link).

Digo, direi aqui, do amigo. Do amigo com um carisma, com uma capacidade de liderança pessoal e profissional rara. Tanta que despertou, desperta até hoje, uma onda de ciúme entre quem com ele conviveu. Ciúme não apenas entre elas. Também eles se batem para saber, dizer, provar quem foi mais seu amigo, de quem ele foi mais amigo. Não me atrevo a tanto. Apenas recordo e festejo o tempo que viveu um queridíssimo amigo, daqueles que marcam nossas vidas com seu brilho.

Geraldo Walter de Souza Filho. Geraldão. O Big. O Biggest. Muitas as formas superlativas para chamá-lo carinhosamente. Antes dele conheci Guta, a mana. Nas manhãs e tardes, verões e verões do Porto da Barra, com Nem, Isinha, Kiko, com Clarinha…

Com aquele tamanhão todo não havia como não percebê-lo nas ruas e noites de Salvador, mas o primeiro contato objetivo foi em Jequié. Começo da campanha de Waldir Pires para o governo da Bahia, a guerra nada santa contra ACM e sua tropa, idos de 1986.

Waldir caminha em meio ao povo, ao lado de Jutahy Magalhães, o pai. Ao lado deles, meio corpo acima da multidão, Geraldão. Numa salinha apertada militantes históricos fustigam Jutahy, aliado de Antonio Carlos Magalhães num outro tempo. Jutahy, sentado na beira de uma mesa, responde com toda sua bonomia:
- Eu sou Paulo na estrada de Damasco…

A gargalhada de Geraldão sacode a sala.

Recém-desembarcado em Salvador, vindo de Brasília para testemunhar e escrever para o Jornal do Brasil sobre a nada santa guerra, percebo ali quem é o marqueteiro – como chamávamos – de Waldir, quem eram os caras que enfrentariam Duda Mendonça na campanha de ACM/Josaphat Marinho. Geraldão e a infantaria da D&E, outros queridos amigos e amigas. Quatro meses inesquecíveis.

Bahia adentro, a espera do Messias. Comícios às três, quatro, cinco horas da manhã, de lugarejo em lugarejo a multidão à espera de Waldir, o locutor a incensar ainda mais…:
-… Ele vai chegar…Ele está chegando…Ele…

No QG da campanha testemunhei viradas e virotes, o companheirismo mas também broncas monumentais, o talento e bom humor na construção de cada peça, cada programa eleitoral. Ali, ficamos amigos. Eu, até o final, um dos poucos sem relação também de trabalho, sem laços também profissionais.

Salvador, Brasília, São Paulo, Luanda, Washington… Sempre muitíssimo bem informado, sempre querendo saber mais. E muito bom humor. E muito rolo no departamento que comanda a vida.

Uma tarde, muitas confidências depois de arrastado almoço no Massimo, em São Paulo, provoquei:
- …mas Big, não a conheço direito mas essa mulher é dureza, vai querer dar um nó em você, a história dela já é a própria encrenca…

A resposta, confesso, me surpreendeu:
- Por isso mesmo…assim é que é bom…

Brasília. Gol de Maurício, ponta direita. Contra o Flamengo, no Maracanã, Botafogo campeão depois de 21 anos. Na alegria alvinegra quase detonamos um quarto do Hotel Nacional, onde gostava de se hospedar.

Campanha de Waldir e Ulysses Guimarães…”Bote fé no velhinho, o velhinho é demais…” Jornada dolorosa para o velho líder, mas divertidíssima pelos bastidores, pela demorada permanência do amigo em Brasília.

Eleição em Angola, por onde passei a caminho das guerras em Ruanda e Somália. O horror, apesar do armistício MPLA-UNITA, mas também a farra nos bastidores, a brasileirada, a baianada em Luanda em meio à paz meia boca.

No comando executivo da campanha, outra vez Geraldão, o Big. Ali, dele ouvi queixas sobre o ego, a vaidade alheia, e histórias deliciosas sobre os rolos de sempre no departamento que comanda, deveria comandar, a vida.

Num cantinho no QG da campanha – um universo de Marlboro – se davam as tentativas e tratativas, múltiplas as tentativas em razão da enorme desproporção entre a testosterona e a progesterona naquela porção verde-amarela de Luanda. Anos depois ele ainda gargalharia com o batismo dado àquele cantinho do QG: 
- Love Corner.

Finda a campanha, reiniciada a guerra, o recebemos em Washington. Geraldão, com a franqueza habitual, disse a mim e a Ana:
- Dou Washington por vista. Vamos sair de carro, olhar as ruas, mas não quero visitar nada, ver museu algum, monumento nenhum. Quero ficar em casa, sair pra comer, dormir, e conversar.

Assim foi feito.

De volta ao Brasil, ele em São Paulo, em sociedade com Nizan. Campanha de FHC. O talento, único, de sempre, a tropa de sempre, nossas conversas, jantares e almoços, como sempre. Os rolos, como sempre.

Fim do namoro com uma prima minha em meio ao começo de namoro com outra prima. Cutuquei:
- Rapaz, para de rondar minha família…

Até hoje ecoa a gargalhada.

Outra eleição. Em São Paulo. Nessa, profunda irritação com o candidato:
- Nesse cara, eu que faço a campanha não voto, o motorista não vota, a secretária não vota…

Sem bom humor não há quem agüente.

De repente, numa tarde-noite, um telefonema:
- Preciso te ver…é urgente, urgente mesmo…

Conversa lá em casa. O que ele queria, o que sentia, o quê e como deveria fazer. Como seria o futuro? Ele ficara sabendo poucas horas antes. Ia ser pai.

O Destino. Uma decisão dos deuses. Ele se foi, mas aí está nosso amado e querido Felipe. Seu filho com Cila.

Numa noite, o cansaço extremo num jantar. Quase dormiu à mesa, Ana estranhou. Pouco dias depois, num almoço, o comentário. Sem preocupação alguma:
- Vou fazer um exame amanhã, acho que é alguma coisa de divertículo, alguma bobagem…

Não era uma bobagem. Me contou por telefone.

Na última vez que nos vimos, fez questão de dar uma carona. Seu amigo Ferreira na direção. Já magro, sereno, mas nos olhos também a vontade de não ir, de quem sabe, porque soube viver, que a vida é bela.

Na janela do carro, na Avenida Brasil, o adeus.

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições, Propaganda, Saber

Acorda, Felipe, seu pai tá na internet!

A felicidade existe nas pequenas coisas. Por exemplo:  a gente dá um Google e  se lambuza com tanta página que aparece.Nem sabe em qual entrar primeiro.  Aconteceu comigo agorinha, quando dei um Google em Geraldo Walter.

Ano passado, perto de um 27 de março, como é hoje, fiz a mesma coisa e nada. Tentei de tudo. Com aspas, sem aspas, nome completo, apelido, com + FHC, Angola, política, propaganda, Bahia, Serjão, empadinha, Camaleão, DM9, sorvete, acarajé, prêmio, governo, bobó, futebol, Real, cozido, licitação, advanced search, magret de canard, Santo Amaro, milk-shake, Correios, avião, a=m=o=r. N-a-d-a.  Ou quase nada. Na Folha de S. Paulo, fuçando muito, encontrei um obituário. Um artigo do Chico Bruno no Observatório da Imprensa. Um Prêmio Colunistas na Bahia no início da carreira. Algumas citações em entrevistas, livros. Muito pouco e quase sempre secundário. 

Aquele vazio na tela abriu um abismo dentro de mim. Não por causa da presença pública. Mas por causa da constatação do tempo. De repente pareceu tamanho.  

Até então eu achava que tinha sido ontem. Anteontem? Nem aconteceu.

Porque a ausência não aumenta. Só a presença. No sonho. Na lembrança. Na oração. No bilhete. Na canção. No pensamento. No filme. Na viagem. No Felipe.

A saudade simplesmente é. 

Então como é que o Sr. Google podia fazer aquilo? Ignorar título de página de jornal de circulação nacional? Capa de revista especializada?  O Geraldo Walter que revolucionou a comunicação política? O Geraldão que elegeu presidentes, governadores? 40 milhões de votos em um ano eleitoral? O profissional brilhante que aglutinava um exército de talentos?Respeitado além-mar?  Como esquecer um homem daquele tamanho?

Cara, o Geraldo estava aqui na antevéspera do ano 2000. A gente falava direto no celular. Juro. A gente trocava email. A gente passava fax…Fax?

Daí eu tive que explicar pro Felipe que há apenas uma década a vida podia ser diferente. Era em real time. Mas não era. Internet a gente tinha. Mas não tinha. Quer dizer, email a gente tinha. Mas não tinha Blackberry. Não tinha rede sem fio, nem mesmo banda larga em casa. Que a gente não ficava o dia inteiro no Youtube, Orkut, Facebook, MSN, mandando arquivo  ou indo atrás do primeiro hyperlink que passasse. Que notícia até a gente lia na tela do computador. Mas não pesquisava arquivo de jornal on line. Nem tinha. Que fotografia era coisa impressa e não coisa pra achar no Google imagens.Enfim, que a gente não tinha Skype, podcast, microblog, blog. Não tinha…Quanta coisa  a gente não tinha em 1998. Nem a cura pro câncer a gente tinha.

Neste sábado vai ter festa na Praça Geraldo Walter, em Salvador. A Praça tem este nome por lei desde 1999, mas agora vai ter inauguração oficial, armada pela irmã dele, a Guta, e seu mutirão de amigos queridos. É por isso que o Geraldão tá bombando no Google. Tem post em blog, tem notícia em site, tem nota em coluna, tem arquivo se abrindo, tem a história profissional dele completinha, tem depoimento importante recuperado, declaração,  tem foto, tem carinho, tem reconhecimento. Tem Geraldo bem pertinho. Tem Geraldo fazendo 53 anos. Tem Geraldo Walter na internet! 

* Este post é dedicado ao Raul Bastos, com tanto carinho quanto a medida de um Geraldão.


1 Comentário

Arquivado em Eleições, política, Propaganda

José Serra no Twitter, a polêmica

Foi só eu citar hoje  o comportamento mais do que atrasado do Brasil no uso da informática e telefonia, que agora veio  outro exemplo, e de novo bem na minha área. 

Não é que o Blue Bus acaba de dar destaque à reação de um leitor que sugere que a Justiça Eleitoral siga o novo Twitter @governosp , sob o argumento de que possa configurar campanha presidencial antecipada? Tudo bem, o jogo de palavras justifica a nota, já que o gancho da notícia original da Folha de S. Paulo é que o @governosp ainda tem poucos seguidores.

Mas no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos concede uma entrevista coletiva baseada em rede social, falar em Justiça Eleitoral? Num Twitter que publica release do Governo de São Paulo? PelamordeDeus, né?

2 Comentários

Arquivado em Estratégia, política

Barack Obama começa entrevista on line sobre economia

Acompanhe a primeira entrevista do presidente Barack Obama com perguntas on line. Corra, blogueiro, corra!

Obama anunciou a nova ferramenta, a Open for Questions, em entrevista coletiva esta semana na Casa Branca.

Algo nos moldes da “Your Seat at the Table”, usada na transição. A questão é que agora Obama é presidente. E sua decisão de Twittar como tal,  fazendo ligação direta com o público, anda enlouquecendo a imprensa sediada em Washington DC, que se sente atropelada pelo jeitinho tecnológico Obama de ser. Jeitinho que fez tanto sucesso com a imprensa durante a campanha, é bom lembrar.

Mas Obama não se impressiona com as reações negativas do tradicional mundinho jornalístico. E lá ele, sorrindo a cada agradecimento emocionado no início das perguntas mais populares filmadas pelos internautas, que por sua vez estão encantados por falar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, sem intermediários.

A primeira entrevista presidencial on line está sendo medidada por Jared Bernstein, economista-chefe do gabinete do vice-presidente Joe Biden. Nos dois dias em que ficou disponível, o site recebeu 92.927 inscrições, 104,116 perguntas e registrou  3,606,707 votos para as mais populares, escolhidas para hoje.

  


Deixe um comentário

Arquivado em Estratégia, política

Governo de São Paulo adere ao Twitter

Ai, tecnologia, tenha piedade de mim! Juro que estou empenhada em fazer o casamento entre as redes sociais que uso e este blog. Mas o WordPress, que tem muitas vantagens, nessa hora não tem nenhuma. A plataforma não aceita wigdgets em flash, que são a maioria, inclusive o do Twitter. E quando eu faço em HTML fica apenas um link sem graça, nem atualiza. De qualquer forma está aí do lado esquerdo. Vou continuar tentando, não nos dispersemos. E se alguém puder ajudar: help, please!

Bem, de novidades por , segui hoje a dica  da Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo, e estou seguindo um novo Twitter, o do Governo de São Paulo. Aqui no Brasil, creio que o Governo da Bahia foi o primeiro a aderir. O de São Paulo começou agora, mas pelo que mostrou até aqui é bem parecido com o baiano, basicamente releases de acontecimentos do dia no Estado.

O da Bahia, inclusive, tem um nome horrendo: Agecom, que significa Agência de Comunicação. Tudo bem para o público interno, mas pra quem não sabe do que se trata, vou te falar, hein.

E embora tenha seu mérito por ser pioneiro, o da Bahia praticamente fala sozinho. Esquece que twittar também significa diálogo.

Porém tudo isso é avanço aqui no subsolo do Equador. Vide a boa sacada da Garota sem Fio . É, enquanto a gente discute a proibição do celular nas escolas públicas, o Governo britânico estuda implantar o twittar o curriculo da criançada. É isso aí, o que mais eu posso dizer?

5 Comentários

Arquivado em Estratégia, política, Propaganda

E o Facebook voltou atrás e mudou o layout de novo

28-facebook-iphoneFalei pra vocês no post anterior da confusão na rede de relacionamentos Facebook por causa da mudança de layout ocorrida semana passada. Pois a pressão foi grande demais e a empresa não conseguiu manter o novo desenho. Agora pouco já resolveu uma parte do problema, voltando as áreas de notificações e highlights praticamente ao modelo antigo. O ‘stream” também está mais limpo, embora as atualizações de status continuem entrando em tempo real, tal qual o Twitter, no qual o novo projeto se inspirou.
A nova mudança foi uma reação à gritaria geral. Comunidades e petições contra o design implantado tomaram conta do FB nos últimos dias. A mídia especializada divulgou que 99% dos usuários reprovou o  layout. Até o público interno passou a detonar o projeto. Crise total. A saída foi entregar pequenas modificações para responder às reclamações, Afinal, não era possivel uma empresa que torna os clientes protagonistas – caso de uma companhia que cria redes sociais – não dar ouvidos à opinião das pessoas. 

 

Deixe um comentário

Arquivado em Estratégia

Vamos Twittar juntos?

Sim, confesso oficialmente minha traição ao Blog. Que depois das eleições, pra relaxar, dei pra me conectar direto ao Facebook. Lazer mais divertido aquele. Saber dos amigos, mandar plantinha, salvar o mundo, compartilhar pensamentos, entrar em guerra, assistir a posse do Obama comentada, fazer contatos, cuidar de plantação virtual, morrer de rir. E aí que uma coisa leva a outra, veio o stress por uma obra interminável na minha casa, e pra relaxar mais um pouquinho fui aderindo mais e mais ao Twitter. Pior: conectei meu FB ao meu Twitter e passei a praticar traição dupla.

Mas não se anime, que isso não é pedido de desculpa. Porque não tive culpa. Eu já tinha anunciado aqui as minhas merecidas e longas férias no pós eleição. E pra mim as redes virtuais eram uma interminável sessão da tarde, nada a ver com o Blog. 

Então por que estou falando em traição? Porque nem tudo é para sempre. Simples assim. De repente os flertes ficaram iguais ao casamento. Ou seja, comecei a me ver interessada pelo desenrolar do caso da mudança do layout do FB, aquele que gerou protestos sem fim na rede, obrigando a uma volta atrás ainda não muito clara por parte da direção da empresa. Em vez de me interessar tanto pelas novas fotos comentadas pelos amigos.  

No Twitter, então, meu comportamento virou um desastre. Perdi a leitura das pensatas dos meus amigos poetas para me dedicar a dezenas de Twitters de notícias, política, propaganda, marketing, tendências, blablabla.

Mas o que me fez sentir mais e mais tirando férias numa colônia de trabalhos forçados foi esta notícia de hoje, que li no Blue Bus. Vocês viram?

Se as crianças inglesas vao aprender a twittar logo cedo, na escola? Uma polêmica proposta do governo britânico pretende remodelar o ensino nas escolas elementares. Seriam inclusas no currículo escolar das crianças aulas de podcasting, blogging, Wikipedia e Twitter, entre outros ensinamentos ligados à vida digital. Outras matérias tradicionais, como a 2a Guerra Mundial, se tornariam opcionais. A notícia é doValleywag. Que tal seguir o Blue Bus pelo ?  Luciana van Deursen Loew

Se virou matéria escolar, daí é papo muito sério. E papo sério tenho com vocês. Por isso a partir de hoje meu Twitter vai se linkar ao Blog e viveremos felizes para sempre. Em outras palavras, voltei para ficar. Beijooo.

 

JK = é brincadeirinha.

JK = é brincadeirinha, beijo, C.

Deixe um comentário

Arquivado em Geral